Reviews

Com apenas um romance, William Thackeray disputa o lugar de melhor escritor do século XIX com Charles Dickens, tornando-se um dos nomes obrigatórios da literatura inglesa, tão prolífera em obras e escritores inesquecíveis. A Feira das Vaidades é um imenso relato satírico de uma sociedade a braços com o maior combate de gigantes alguma vez visto mas não é por isso que Londres para ou os “feirantes” deixam de se preocupar com e apenas os seus próprios umbigos. Por entre ironia e pomposidade, falsos juízos de valores e mentiras, rumores e verdades escarrapachadas em jornais, assistimos à caricatura de uma sociedade presa pelas suas regras, onde a ociosidade e a ambição proliferam e onde os vícios podem passar por virtudes. A premissa deste livro e seu tamanho de impor respeito prometiam um grande clássico e, como é sabido, eu adoro clássicos, seja de que género ou século forem. Apesar de não ser uma fã entusiástica de Dickens, achei que o facto de serem ambos escritores considerados não queria dizer que as suas obras tivessem parecenças, mesmo tendo em conta o facto de serem contemporâneos e, por isso, arrisquei com este livro. A sua leitura levou-me vinte e tal dias e não foi por causa das 700 páginas que o compõem mas sim, devido ao estilo da escrita de Thackeray, que me colocou logo de pé atrás com o livro. Thackeray relata-nos a história de Becky Sharp como se estivesse reunido no clube com os seus pares a comentar as mais recentes novidades escandalosas do seu meio, aliás, a ironizar por completo todo e qualquer relato que estivesse a fazer. Ora, este estilo de escrita tem um grave problema, ou o leitor se identifica ou, então, o leitor nunca se irá dar bem com a narrativa, o que aconteceu comigo. A sensação que este livro dá é que o autor não escreveu A Feira das Vaidades para as gerações futuras mas para a sua própria geração apenas, pois os seus comentários ao longo do livro seriam reconhecidos apenas por pessoas que teriam sido suas contemporâneas e para aqueles que têm de ter um conhecimento bastante aprofundado daquela época em termos de costumes, hábitos, sociedade, ou seja, apesar de todas as críticas que o autor faz, ele próprio é o elitista do piorio. Este livro até pode ser um retrato fantástico da sociedade londrina do início do século XIX mas não o posso considerar mais do que isso, sem ser uma enorme sátira cheia de sarcasmo de alguém pomposo, elitista e que estava convencido que era o máximo. Todas as escolhas feitas para este livro, desde personagens à narrativa, foram feitas não para contar uma história, transmitir uma ideia ou agradar aos leitores mas para ridicularizar um grupo social que estava totalmente perdido e, por isso mesmo, apesar de não considerar Dickens o máximo, não entendo como é que se pode, sequer, comparar ambos os escritores. Como se não bastasse, e peço desculpa pelo termo, o estilo intragável de Thackeray, ainda temos as personagens mais sensaboronas, aborrecidas, entediantes e pão sem sal de toda a literatura clássica. Nenhuma das suas personagens tem um bom lado sem ser chata e entediante, e até Becky Sharp que devia ter nascido nos dias de hoje, conseguiu ser chata até a médula. Se senti simpatia por alguma personagem? Não. Mas senti uma raiva tremenda de todas estas personagens porque nenhuma delas transmitia algo de bom. Foi como juntar os maiores idiotas da sociedade londrina numa só sala. Tendo eu de suportar isto tudo ainda tive de ler as tais 700 páginas, que foram inúteis até ao âmago, devendo ter começado a ler o livro lá para a página 500, o que dá 200 páginas de história e tornou esta leitura um sacrifício do início ao fim. Sendo uma apaixonada dos clássicos que comecei a ler em tenra idade, nunca detestei tanto um clássico como este e, chego a conclusão que tirando o nosso Eça e Dickens, foram as senhoras que tomaram o século XIX e nem sequer sou feminista. Não recomendo a leitura deste livro senão aos corajosos e, boa sorte. http://girlinchaiselongue.blogspot.pt...